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Uivo

Quando um cão uiva não há dúvida alguma de que o uivo do cão cresce na raiz de seus ossos. Cão algum uiva sem ter razão, e estando uma única vez esse cão predisposto e preparado pra tanto, fatalmente e por toda coragem que tem, ele mesmo já admite pra si o tanto que lhe deve doer ter que deixar tantos ossos espalhados e a mostra só pela necessidade de um único uivo. Mas nem por isso esse cão se confunde diante daquilo que o cerca. De algum modo, por mais que seu esqueleto e espírito estejam ambos perdidos, espalhados ou simplesmente não passem de boa parte do que agora jaz integrando-se ao pátio, esse cão ainda que desossado, observa uma peça de roupa branca dependurada no varal, uma pilha de tijolos mofando num quanto qualquer e ainda assim se admira. Quanta coisa me aproxima desse ser canino que obviamente pertenceu a um dono mais do que descuidado e indigno. Coisas que os meus ossos ainda não sentem na pele e que os meus olhos ainda não veem. Se eu percebo o quanto sou míope, mais a miopia me distancia do cão. Se eu acredito que tenho com ele uma afinidade e um parentesco enorme, aí vem o cão e late de volta pra mim. Que cão é este que me compreende e vê com maior profundeza do que a minha própria natureza é capaz de me permitir? Agora mesmo, ao encarar de perto tal cão zarolho, percebi que há um oceano enorme e gelado pesando em sua garganta. E apesar disso, de tão resolvido que este cão desgraçado ainda é, não me empresta qualquer nitidez pra que eu me possa enxergar só um pouco melhor do que ele.

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Jamais conheci maneira completamente segura de conseguir ser feliz. Com frequência eu até me esforcei na tentativa de planejar fazer algo ou minimamente estabelecer novos planos só pra não perder-me de vista entre os mínimos atos possíveis ou absurdos realizáveis até o fim de mais este dia repleto de tédio. Me esforcei muito! E algumas vezes me arrisquei tanto que quase pensei que seria capaz de me planejar por mais alguns dias depois... Só que eu jamais compreendi o bastante nas mínimas vezes em que estive diante das armadilhas que me foram pregadas, arapucas feitas de marteladas que quase nunca se importaram com praticamente nada que de certa forma ainda precisasse e quisesse resistir a tantas pancadas, a tantos intervalos sádicos, que provavelmente se importavam menos ainda com um próximo instante ou porvir. Quem vai me provar que não somos também, que não existimos e agimos feito esse mesmo martelo, que quem sabe noutroras, daqui a pouco, vai me bater como quem nada sabe ou como quem não quer saber o que ainda virá amanha! Enquanto eu jamais me senti pronto pra tanto ou pra nada, sempre que pude eu tentei aproveitar minhas sensações da maneira mais competente possível mesmo que eu ainda estivesse diante das mesmas situações e com a maior das complicações. A cada oportunidade que tive fiz o que pude por mais que ainda não conseguisse aproveitar minhas melhores sensações da melhor maneira possível mesmo que novamente diante das mesmas situações, com a menor das complicações. Mas preciso admitir a competência que sempre tive em estragar quase tudo que algum dia eu tive habilidade e a vontade de poder conquistar, sem querer sempre agi como quem na verdade só quis estragar quase tudo Sempre busquei o melhor esperando o pior Sempre busquei o melhor por mais que no fundo eu só me sentisse cada vez pior

Jamais conheci maneira completamente segura de conseguir ser feliz. Com frequência eu até me esforcei na tentativa de planejar fazer algo ou minimamente estabelecer novos planos só pra não perder-me de vista entre os mínimos atos possíveis ou absurdos realizáveis até o fim de mais este dia repleto de tédio. Me esforcei muito! E algumas vezes me arrisquei tanto que quase pensei que seria capaz de me planejar por mais alguns dias depois... Só que eu jamais compreendi o bastante nas mínimas vezes em que estive diante das armadilhas que me foram pregadas, arapucas feitas de marteladas que quase nunca se importaram com praticamente nada que de certa forma ainda precisasse e quisesse resistir a tantas pancadas, a tantos intervalos sádicos, que provavelmente se importavam menos ainda com um próximo instante ou porvir. Quem vai me provar que não somos também, que não existimos e agimos feito esse mesmo martelo, que quem sabe noutroras, daqui a pouco, vai me bater como quem nada sabe ou como q...
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