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O óbvio

Não me diga nada que eu possa ouvir Não me mostre nada que eu possa ver Agora que tudo parece tão bem Eu não preciso e não quero saber como vai ser Eu não preciso que você pense que estou melhor Do que um dia eu pude te mostrar que fui Não há mais nada do que eu tinha pra lhe dar Também não quero saber a razão Se fui eu que não conseguia ouvir Quando tudo estava bem ali E o que mais eu podia fazer Se eu sempre levo tanto tempo pra aprender
Um palhaço sem graça
Não há traços, nem cor, nem o conjunto destes em pintura nenhuma que possam tornar mais sagradas as visões que eu tenho de tudo. Pois tudo pra mim é tão intangível as vezes quanto qualquer representação que eu possa fazer deste mundo. Não há ruas, nem construções e nem transeuntes sequer que me pareçam menos pesados aos olhos nas vezes que saio vagando sem rumo . E ainda assim todo o asfalto se estende, os tijolos se erguem e os que estão só de passagem caminham cada vez mais reclusos. Não há olhar, palavra ou um sorriso que possam quebrar este gelo que antes de imobilizar meus sentidos, um dia assim como a água teria sido mais fluido. Pois tudo o que aqueceu demais, um dia, depois virou febre e esta agora é preciso evitar-se mesmo com tanto descuido. Não há mais uma nota, acorde ou sinfonia qualquer que soem tão altas e ininterruptas quanto os ruídos e uivos que ouço das almas noturnas, sem lar. Pois no silêncio da noite, já muito antes da aurora, a ansiedade aumenta e tudo o que me...
Eu quero encontrar a resposta e espalhar todo traço ou cor e caminhar por aí entre os transeuntes, pelas ruas e construções e espalhar meu olhar e sorrisos e cantar sinfonias impossíveis e sentir que o que tenho é suficiente mesmo que inexato e apenas através dos meus atos decifrar e aprender pra que um dia eu possa também ensinar e assim continue a crescer.
Aqui dentro tudo se move o tempo todo.
Pode estender a roupa no varal que agora eu só vou fazer tempestade em copo d'água.