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Pérolas pra quê seu eu mesmo surgi de um barro oco?

Barrocas eram as pérolas que comparadas à outras mais arredondadas e melhor acabadas acabaram sendo consideradas defeituosas, esquisitas, desperdiçáveis, em vão. Mas bah! ocas mesmo tem sido quase todas as coisas das quais não se admite enleio qualquer. Vans expectativas criadas pela ingênua ilusão de que tudo tem de ser definitivo e perfeito. Como tanto fazem questão de ser essas... Bah! Ocas pessoas que de tão critícas manias não suportam qualquer defeito. Bla bla Bah!Com efeito, talvez eu mesmo não saiba o tamanho da asneira e porfia presentes em tudo isso que estou afirmando, e que mesmo assim, no entanto, não pude deixar de dizer. Estou jogando pérolas aos porcos? Estou revirando a lamaceira aonde ninguém se atreve a meter a mão mesmo que de lá possa arrancar algo de precioso, e que se por acaso me adornar o pescoço quem sabe enobreça o que eu digo. Sei muito bem das cabeças ocas que tinham os nobres de certa época. Sei o quanto suas mulheres mesquinhas precisavam de pérolas ao r...

Na Noite Terrível

Na noite terrível, substância natural de todas as noites, Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro, velando em modorra incômoda, Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida. Relembro, e uma angústia Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo. O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver! Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão. Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte. Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures, Na ilusão do espaço e do tempo, Na falsidade do decorrer. Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei; O que só agora vejo que deveria ter feito, O que só agora claramente vejo que deveria ter sido — Isso é que é morto para além de todos os Deuses, Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver ... Se em certa altura Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita; Se em certo momento Tives...
Detesto meus erros mas lhes dou o devido respeito. Ora essa! Se eles existiram, se fizeram questão de serem tantos é por que no mínimo eles eram necessários, é porque só eles podiam me dizer em que eu precisava me aperfeiçoar. Também detesto ver sangue, me sinto tão mal quando o vejo que sou capaz de até desmaiar, e no entanto tem tanto sangue correndo nas minhas veias. Meu componente repugnante e vital.
Se é que Deus realmente existe e é mesmo o criador dessa tremenda imperfeição que eu sinto. Talvez, ainda que ele me pareça injusto por não ter me dado asa alguma. Talvez, quem sabe? Lá no fundo, ele não desejasse me assombrar com essa impressão latente que acaba produzindo essa sua aparência de um Deus sempre intangível e injusto. Juro que não sei, porém um vez que ele tenha me dado essa enorme imaginação que eu possuo, talvez, quem sabe? No mínimo ele esperasse, que mesmo sem asa alguma, que mesmo apesar da força exercida por qualquer gravidade, amiúde eu não me esquecesse que sou capaz de voar. Independentemente e ainda que fosse necessário e comum cair tantas vezes. Mas é coisa demais e ao mesmo tempo sempre fugindo desse meu receoso e também muito raso entendimento. Será que é por que pousei? Sinceramente não sei. Só espero que eu não vá perder jamais a coragem de me perguntar: Será que já decolei hoje? Se o fiz, por que sim? Se não fiz, por que ainda não? Aficionado por resposta...
Me perguntar se a energia que emano é boa ou ruim se tornou bastante clichê quando vejo que a energia que tenho (oscilante ou não) parece que é tanta que já começou a interferir tanto em aparelhos eletrônicos quanto em redes elétricas inteiras.
Acredito que toda a vez que alguém é humilhado demais por tudo o que é vil por tempo demais, como num mecanismo de defesa que este acaba criando, sua própria humildade também acabará precisando ser diminuída a tal ponto que nem mesmo o que lhe parecer finalmente superior lhe fará desejar abaixar a cabeça em reverência a qualquer coisa que seja. Que merda de capitalismo é esse que desde cedo já nos dita que antes mesmo de sabermos quem realmente podemos ser, temos que aceitar a obrigação (fajuta) de nos tornarmos (dentro de uma lógica mercantilista e corrompível) só mais uma coisa comerciável. Entretanto, é preciso saber viver. Mesmo sabendo que boa parte de nossas melhores horas estão apenas a serviço da manutenção de um mercantilismo servil e barato. Nessas horas tantos livros baratos de auto-ajuda estão querendo ajudar quem? Ah é tanta coisa, são tantas as vezes que me sinto forçado a estar além de mim mesmo...certa vez cheguei a sonhar até com leões, tigres e leopardos invadindo o...