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Felicidade Intoxicante

Tudo bem que esta minha afirmação talvez ainda esteja longe de ser ou assemelhar-se a qualquer verdade única. Tudo bem! Até porque também nem me cabe tamanha pretensão em continuar sendo tão desagradável. Não quero aqui entrar no mérito ou discussão de que por mais verdade que ela me pareça, de absoluta ela talvez não tenha nada. Suponho até que ela sequer exista. Todavia, entretanto, contudo, não obstante, entre poréns e tantos outros pesares, também não vejo nada que a impeça de ser também até hoje, senão a mais bonita, talvez a mais pura entre outras cada vez mais raras e problemáticas verdades. Que seja! Pois independente do tamanho absurdo que ela talvez tenha adquirido pra si, quem é que pode dizer o quanto ela foi realmente capaz de ultrapassar-se ou não em sua mera e convexa pretensão de ser? Supondo que tenha sido, ainda que eu admita sentir um certo receio. Teria sido ela suficiente enquanto verdade que se pretendeu?Teria ela resistido a um só dia nesse mundo aleatório que ta...
Quando eu mal respirava sorvi um cheiro mais que amarelo Quando eu mal prestava devida atenção eu ainda posso jurar que ouvi um som mais do que azul Só que quando tentei tocar eu sequer senti o gosto da forma E quando vi o movimento que isso tinha acabei ficando mais travado ainda Quem vai dizer o tanto que isso foi ou ainda não é? Quem vai medir o quanto isso dói enquanto cada vez menos qualquer um deseja sentir qualquer espécie de dor? Milagres acontecem? Talvez! Ou se tornam cada vez mais distantes do alcance das mãos. E quem é que ainda vai desejar manter tanta palavra salgada e amarga entredentes? Há céu e oco demais na minha boca pra acreditar que minha língua além de saliva carregue tanta sabedoria em si. Não sabendo pronunciar qualquer coisa inteligível sem gaguejar, acho que ainda me lembro de algo que ronda ou está quase perto de ser o suficiente pra me manter digno de ser compreensível. E tudo isso pode se parecer com nada além de um insulto! Admito!Mas na moral, sendo ...

Tenho Fome

Tenho fome! Tenho boca, tenho esôfago, tenho barriga, tenho estômago e por incrível que pareça ainda tenho âmago! Tenho corpo, tenho ossos e junto disso e muito mais, condoído ainda carrego e conservo comigo uma alma e (ou) um espírito, que de alguma forma clara ou não também precisa se alimentar. Tenho fome, e se entretanto ainda faço o esforço de dizer qualquer coisa, é só pra lembrar que enquanto esta fome não estiver saciada, eu em nada irei me importar se ao teus olhos minha fome ainda não ultrapassa a ideia que, (inclusive só sua) foi criada só dentro da tua cabeça. A mesma aonde tudo que se remete à mim se conclui ou resume a uma simples necessidade de alento. Não to esperando ou sequer to pedindo um banquete, tenho fome somente! Tenho um apetite tão atípico que pede que eu o mate com minhas próprias mãos. Feito índio, que nasce mais do que livre do aço do garfo ou da faca. E o que mais me caberia dizer à você? Honestamente nem quero saber. Entretanto confesso que ficar...
Quociente aritmético, razão por diferença, mínimo de inteligencia? Antes ser sujeito que ainda tranquilo admite conscientemente estar ferrado por si mesmo, do que ter que sujeitar-me a ser absolvido pela bondade de uma mão quase sempre inconsciente e inconsistente de terceiros.

Pérolas pra quê seu eu mesmo surgi de um barro oco?

Barrocas eram as pérolas que comparadas à outras mais arredondadas e melhor acabadas acabaram sendo consideradas defeituosas, esquisitas, desperdiçáveis, em vão. Mas bah! ocas mesmo tem sido quase todas as coisas das quais não se admite enleio qualquer. Vans expectativas criadas pela ingênua ilusão de que tudo tem de ser definitivo e perfeito. Como tanto fazem questão de ser essas... Bah! Ocas pessoas que de tão critícas manias não suportam qualquer defeito. Bla bla Bah!Com efeito, talvez eu mesmo não saiba o tamanho da asneira e porfia presentes em tudo isso que estou afirmando, e que mesmo assim, no entanto, não pude deixar de dizer. Estou jogando pérolas aos porcos? Estou revirando a lamaceira aonde ninguém se atreve a meter a mão mesmo que de lá possa arrancar algo de precioso, e que se por acaso me adornar o pescoço quem sabe enobreça o que eu digo. Sei muito bem das cabeças ocas que tinham os nobres de certa época. Sei o quanto suas mulheres mesquinhas precisavam de pérolas ao r...

Na Noite Terrível

Na noite terrível, substância natural de todas as noites, Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro, velando em modorra incômoda, Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida. Relembro, e uma angústia Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo. O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver! Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão. Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte. Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures, Na ilusão do espaço e do tempo, Na falsidade do decorrer. Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei; O que só agora vejo que deveria ter feito, O que só agora claramente vejo que deveria ter sido — Isso é que é morto para além de todos os Deuses, Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver ... Se em certa altura Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita; Se em certo momento Tives...