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Então apenas apertam um botão, ligam uma coisa, ela começa a desencadear uma série de outras, aí não dão sequer um outro botão qualquer à tal coisa pra ela poder desacelerar, pra pausar ou pra desligar essa merda toda. A gente existe inclusive por que há uma parte ruim e tantas vezes incontrolável existindo dentro da gente. Mas o ser bom, o ser bom por si mesmo bom, o ser que presume ser bom por completo então tem empurrar uma parte de si, a parte ruim para um canto bem escuro e ignorável. Só assim essa parte se convence de que sua melhor existência consiste em deixar de existir. Isso não explicará o todo jamais. Isso é só uma parte explicando a própria parte diante de um todo.
De distancia já me basta a que existe entre minha cabeça e meu coração. Sim, me refiro exatamente à este órgão musculoso, voz secreta as vezes, peça angular numa intersecção, centro da sensibilidade e de toda afeição, que mesmo apesar de ser tão vacilante e cheio e de palpitação tem por lei a obrigação de irrigar sem mais e nem menos sangue os dois lados flutuantes e resistentes que ainda existem dentro da minha malemolente e confusa cabeça. E não! Eu não quero e nem vou dizer aqui que isto tem qualquer coisa de incrível. Por mais irracional que isto pareça, coração bate por que é motor. Já a cabeça, por mais que ainda penda a pensar seja entre os dentes ou in-dependente de ter coração, raramente esta mesma entende a razão que é a única capaz de explicar os seus próprios porquês.

A mais vil de todas as necessidades - a da confidência, a da confissão. É a necessidade da alma de ser exterior. Confessa, sim; mas confessa o que não sentes. Livra a tua alma, sim, do peso dos teus segredos, dizendo-os; mas ainda bem que os segredos que digas, nunca os tenhas tido. Mente a ti próprio antes de dizeres essa verdade. Exprimir é sempre errar. Sê consciente: exprimir seja, para ti, mentir.

Inócua Iniquidade

Minha opinião é a de que tudo talvez simplesmente se refira ao modo com que aprendemos a olhar para cada situação ou como cada situação (coisa muitas vezes já pronta), ignora qualquer um que se depara com ela. Que nada está verdadeiramente pronto todos estão mais do que carecas de tanto saber, mas partindo dessa ideia, fica claro portanto, que tudo está sempre em constante mudança. Há milênios o ser humano admira o céu e este céu olha de volta pro homem até hoje como se parecesse com o mesmo céu estático e estupefato de antigamente, nem por isso a lua ou o sol, as estrelas ou as suas constelações deixaram de mudar de lugar no espaço tempo durante. Certo é que estes sempre continuaram mantendo suas órbitas constantemente. Só que às vezes sugerindo um movimento pequeno e irreconhecível que esteve relacionado a distancia e o tempo que estas órbitas percorrem e outras vezes sugerindo um movimento pequeno e irreconhecível mas que está relacionado a distancia e o tempo do olhar de quem ...

Lavatório do Caos

Debruçado sobre o lavatório, abri a torneira, tapei o ralo que havia na bacia e fiquei por algum tempo a ver jorrar a esperança dentro dela. Até então nada de novo, mas percebi que bem aos poucos esta esperança a bacia foi enchendo. Fechei a torneira logo em seguida , e retirando a tampa do ralo, vi que a mesma esperança foi se escoando de gole em gole. Goles que se não tinham qualquer coisa de humanos, eram cada vez mais tortuosos e profundos. Seria então esta a tal respiração que há no ralo? Ainda que seja, ou jamais! Por que só agora eu fui me dar conta de que esta respiração é a mesma que se dá dentro de mim? Talvez fosse por causa dessas incontáveis distorções que com o tempo acabaram se tornando meu costume. Não tendo educação suficiente pra saber como agir diante de tanta coisa fria e reta, inevitavelmente talvez eu tenha acabado me tornando também mais do que propenso a cometer toda e qualquer espécie de tolice que é possível. Tolices, ora pois, que nem mesmo são tão ingênuas ...
É admirável toda vontade de vida? Por que não seria também admirábil a vontade de por tudo a perder? De uma só vez. Se é verdade que cada um tem mais que obrigação de saber nem que seja minimamente de si, talvez também seja verdade que cada um tem também o direito de não estar nem aí, seja diante do espelho ou seja diante de qualquer valor ou juízo pré estabelecido. Só que justo eu, que ainda acho que qualquer pergunta ou resposta forçada a ser generalizada sempre termina em equívoco, ainda assim me pergunto: Viver num mundo pensado e organizado por um pequeno mas bem (intencionalmente mal) agrupado número de canalhas, que não fazem nada além de impor valor e tirar proveito do pouco que é aprendido e produzido por tantos outros seres irreconhecidos, quantas vezes não faz a felicidade (assim como o açúcar é para as formigas), raramente parecer ao alcance ou durar tempo suficiente pra saciar tamanha ilusão?
Como é complicado tentar exprimir o inexprimível. Sobra palavra, falta verbo. Sobra pensamento, falta música... e quanto maior é a fala, menos se tem dizer... e noutro enorme intervalo de tempo, quanto silencio que jamais deveria ser adiado