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Paradoxo

O mundo já está cheio de gente! Cheio de gente hipócrita se passando por honesta Cheio de gente egoísta se passando por solidária Cheio de gente que não passa de um animal O mundo está cheio de animais! Animais que nem sabem explicar o que são Animais que nem sabem traduzir o que sentem Animais ultrapassados racionalmente Animais! Que urram, que ferem, que latem, que mordem e que lambem, as vezes...Animais... entretanto, infinitamente superiores a muita gente que pensa, mas que nunca escolhe agir feito gente.

Uivo

Quando um cão uiva não há dúvida alguma de que o uivo do cão cresce na raiz de seus ossos. Cão algum uiva sem ter razão, e estando uma única vez esse cão predisposto e preparado pra tanto, fatalmente e por toda coragem que tem, ele mesmo já admite pra si o tanto que lhe deve doer ter que deixar tantos ossos espalhados e a mostra só pela necessidade de um único uivo. Mas nem por isso esse cão se confunde diante daquilo que o cerca. De algum modo, por mais que seu esqueleto e espírito estejam ambos perdidos, espalhados ou simplesmente não passem de boa parte do que agora jaz integrando-se ao pátio, esse cão ainda que desossado, observa uma peça de roupa branca dependurada no varal, uma pilha de tijolos mofando num quanto qualquer e ainda assim se admira. Quanta coisa me aproxima desse ser canino que obviamente pertenceu a um dono mais do que descuidado e indigno. Coisas que os meus ossos ainda não sentem na pele e que os meus olhos ainda não veem. Se eu percebo o quanto sou míope, ma...
De tanto imaginar vermelho empalideci escroque diante o glóbulo branco e caótico ensanguentando e subvertendo a minha falha. Teia tentando não fazer mais da morte um espelho, engoli a vida que por mais irrefletida ou desfavorecida que se engendra, continua sua sina mesmo ante o vão do corte. Entreaberta e entrecortada é a solidão que a gente lida arrebentado e por mais que ainda não se sinta pronto a nada. Por muito pouco eu não me vi a ponto de aderir-me a outro rumo tão empalagoso quanto torpe. Morrer ao vivo nem falido, isso iria me acabar travando os músculos e entorpecendo a mea-culpa carne. Senil é o nosso ombro porque o mesmo sempre arruma um leito e um jeito de carregar sem se queixar todo o nada e o impoluto escombro que hora vem e hora vaga a gente inventa. Pontiagudas serão sempre as vezes em que deixamos para atrás todo o defeito feito um rastro mal acondicionado e espalhafatosamente vil. De boba a maldade nunca teve nada, tanto que a mesma nasce inclusive dentro daqu...
A realidade não tem nada a ver com a visão! Aquela próxima paixão dilatada pela sensibilidade ou quimera cheia de ouvidos só existe pra nos desnortear ainda mais. Quem dera eu fosse capaz de sentir-me nem que fosse por um só minuto, suficientemente de acordo com um único dia quase sempre tão perplexo quanto sem reflexo suficiente diante de qualquer espelho. Quem me dera diante dessa minha vida aparentemente sem rumo algum, eu fizesse pelo menos a questão de seguir a minha própria vontade. De enganar-me em vezes tão absurdas quanto irrazoáveis. Vezes em que a única vontade que sinto é a de não sentir mais gosto nenhum. Até que de repente eu volte a submeter-me em outras tantas e tão mal usufruídas vezes potencialmente mal interpretadas...Noites tão enluaradas quanto mal aproximadas daquele outro lado longínquo que ainda vive e é tão dolorido quanto está mal anestesiado. Lado oposto e efeito resma, lesma que por mais dilacerada que pareça se assemelha quase sempre aquela outra ainda mais...

Ode à Separação

Nunca é tão tarde pra não mais separar O ar do nariz Os olhos da cara As unhas dos dedos O sangue das veias Os fios de cabelo da encouraçada cabeça Ou as orelhas do ouvido existente no tampo superior de determinados instrumentos de corda Mas quase sempre ainda é cedo quando se quer afastar A palavra da língua A caminhada do pé A água do mar A garrafa do bêbado A verdade do espírito Ou simplesmente o amargo do café que eu tomo enquanto não estou em aí pra isso ou aquilo.

Irreduzível Hipérbole

Queria tanto que pelo menos por uma única vez eu soubesse escrever algo que um dia se aproximasse ou equivalesse a aquela pena tão carregada de tinta que apesar de tudo ainda se deita, dança e se esparrama sobre o papel para a mesma escrita aconteça. Queria e muito, mas admito que eu mal sei por onde devo começar. Melhor terminar logo com tudo isso? Antes que eu me atrapalhe e me arrebente ainda mais? Mas terminar com isso como? Se até pra esta escrita tão barata, tão rasa e sem estilo como costuma ser a minha, não há nem mesmo fim algum. Não tem pretexto, falta contexto e isto prova que esta mesma certamente não irá me ocorrer por mais que eu insista em convocá-la pelo simplacheirão nome de “Texto”. Nome esse que inclusive, eu lhe dei por estar repleto de despeito, e acabei também achando que talvez esse fosse o mais cabível e pior nome que eu teria a competência de lhe dar . Texto que agora, por mais que eu conclame, eu profane ou grite por ele ainda mais, vira-me as costas; vira-...