segunda-feira, 26 de setembro de 2016

De tanto imaginar vermelho empalideci caótico diante o glóbulo branco ensanguentando e subvertendo a minha falha. Teia tentando não fazer mais da morte um espelho, engoli a vida que por mais irrefletida ou desfavorecida que se engendra, continua sua sina mesmo ante o vão do corte. Entreaberta e entrecortada é a solidão que a gente lida arrebentado por mais que ainda não se sinta pronto a nada. Por muito pouco eu não me vi a ponto de aderir-me a outro rumo tão empalagoso quanto torpe. Morrer ao vivo iria me acabar travando os músculos e entorpecendo a mea-culpa carne. Senil é o nosso ombro porque o mesmo sempre arruma um leito e um jeito de carregar sem se queixar todo o nada e o impoluto escombro que hora vem e hora vaga a gente inventa. Pontiagudas serão sempre as vezes em que deixamos para atrás todo o defeito feito um rastro mal acondicionado e espalhafatosamente vil. De boba a maldade nunca teve nada, tanto que a mesma nasce inclusive dentro daquele que defende e ainda ama alguma coisa. O mar hoje não deve estar pra peixes mas mesmo enfraquecidamente alegre estou sentindo-me mais vibrante do que nunca. Perante a essa respiratória via que me falta, nada é nada, e tudo jaz sem mais me oferecer coisa alguma. Estabeleço periclitantes pausas, as vezes divertidas, as vezes inviáveis e horrorosas. O tempo todo ouço exalar do meu umbigo um odor doído que não se apruma e nem aflora. Aflito eu rego a minha embriaguez até que a mesma pelo menos interfira e se intrometa algum dia no que parece permanente. Indiferente e líquido, acho que consigo até agir e ser capaz de tanto quanto equidistante e equivalente eu me ignoro. Vivo de hálitos, arroto equívocos. Vivo pra soluçar remédios que dia mais e dia mais ou menos negligenciam o vapor herético inerte e inerente a minha urina. Mijo no teto só porque meu mundo ainda continua de ponta cabeça. Mais do que olhos ou orelhas, acho que acabei adquirindo um gosto enorme de me fingir de nada. Minha maior vontade agora é conseguir arremessar até palavras feias, desde que feitas e vindas de meus lábios salivantes. Dentro da boca minha língua anda mais gelatinosa do que nunca. Mas ela ainda vibra! Por mais longínqua e mentirosa utopia que admiravelmente impronuncia. Não obstante, vez ou outra me parece praticamente impossível digerir-me ou aprofundar os meus silêncios. Apesar disso, de forma alguma eu pretendia disfarçar a falta de comprometimento que eu tive mesmo junto a minha melhor sílaba. Quem sabe eu tivesse ao menos dado uma boa lambida em tais palavras, provavelmente as mesmas não precisariam insistir tanto em continuar fugindo dessa minha difusa e exaltada alma.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A realidade não tem nada a ver com a visão! Aquela próxima paixão dilatada pela sensibilidade ou quimera cheia de ouvidos só existe pra nos desnortear ainda mais. Quem dera eu fosse capaz de sentir-me nem que fosse por um só minuto, suficientemente de acordo com um único dia quase sempre tão perplexo quanto sem reflexo suficiente diante de qualquer espelho. Quem me dera diante dessa minha vida aparentemente sem rumo algum, eu fizesse pelo menos a questão de seguir a minha própria vontade. De enganar-me em vezes tão absurdas quanto irrazoáveis. Vezes em que a única vontade que sinto é a de não sentir mais gosto nenhum. Até que de repente eu volte a submeter-me em outras tantas e tão mal usufruídas vezes potencialmente mal interpretadas...Noites tão enluaradas quanto mal aproximadas daquele outro lado longínquo que ainda vive e é tão dolorido quanto está mal anestesiado. Lado oposto e efeito resma, lesma que por mais dilacerada que pareça se assemelha quase sempre aquela outra ainda mais inflada, inoportuna e ridícula vontade cicatriz, tão mal curada e sobrecarregada de babas quanto permanece incapaz de ter uma aparência verdadeira ou mais feliz.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Ode à Separação

Nunca é tão tarde pra não mais separar O ar do nariz Os olhos da cara As unhas dos dedos O sangue das veias Os fios de cabelo da encouraçada cabeça Ou as orelhas do ouvido existente no tampo superior de determinados instrumentos de corda Mas quase sempre ainda é cedo quando se quer afastar A palavra da língua A caminhada do pé A água do mar A garrafa do bêbado A verdade do espírito Ou simplesmente o amargo do café que eu tomo enquanto não estou em aí pra isso ou aquilo.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Irreduzível Hipérbole

Queria tanto que pelo menos por uma única vez eu soubesse escrever algo que um dia se aproximasse ou equivalesse a aquela pena tão carregada de tinta que apesar de tudo ainda se deita, dança e se esparrama sobre o papel para a mesma escrita aconteça. Queria e muito, mas admito que eu mal sei por onde devo começar. Melhor terminar logo com tudo isso? Antes que eu me atrapalhe e me arrebente ainda mais? Mas terminar com isso como? Se até pra esta escrita tão barata, tão rasa e sem estilo como costuma ser a minha, não há nem mesmo fim algum. Não tem pretexto, falta contexto e isto prova que esta mesma certamente não irá me ocorrer por mais que eu insista em convocá-la pelo simplacheirão nome de “Texto”. Nome esse que inclusive, eu lhe dei por estar repleto de despeito, e acabei também achando que talvez esse fosse o mais cabível e pior nome que eu teria a competência de lhe dar . Texto que agora, por mais que eu conclame, eu profane ou grite por ele ainda mais, vira-me as costas; vira-se em páginas atrás de páginas, cada vez mais carregadas de um vazio obscuro e branco. Vazio também ofuscante e obsceno, que não há nem mesmo meios de tentar mimosear. Mas ora essa! Mas agora vamos combinar! Ainda estou longe de poder sentir-me tão letrado ou tão conceituado assim a ponto de pensar que poderia me tornar poeta. Toda vez que é chegada a minha hora e o momento crucial, me sinto aquém até diante da pior espécie de cultista ou falastrão. Sim é verdade, estou cru! E ainda por cima, cada vez mais me vejo mais como um escravo acorrentado, como um animal indesculpável e insignificante feito tantos outros que já houveram e quiseram muito mais do que apenas (d)existir ou só viver perambulando a procura de migalhas esquecidas por aí. Uma espécie de não-ser, que insistindo em quase-ser, ainda continua sendo ser dos mais indignos. Uma criatura estranha, inescrupulosa e impiedosamente obrigada a ignorar-se e a calar-se, por mais que ainda estivesse consciente de que é indubitavelmente sua a carcaça presa ao tronco e a esperar pelo chicote. Franzindo-se e fremindo-se sem intervalo algum entre as lapadas. Espremendo-se... Quanto maior é o seu açoite, cada vez mais se torna“nada”. Morte, morte, morte...Cadê tu que sempre foi tão competente? Por que faz tanta questão em adiar-se e não revela logo pelo menos, quando e onde vai terminar essa minha tamanha falta de postura e de sorte? Não vê que por mais que eu lhe declare o quanto sou incompetente, enquanto eu tiver que permanecer aqui, de uma forma ou de outra eu vou precisar continuar agindo feito um Zé-ninguém. Mesmo que apesar do muito ou de tanto nada, eu jamais consiga discordar da lentitude de minha própria crosta espúria, esquelética e esquálida. Que a cada dia inevitavelmente torna-se mais e mais insuportável. Alma perdida, super exposta e cada vez mais indefesa. A luz do sol e dessa vida às vezes queima, ainda mais quando se está perante ambas e ainda não se aprendeu a descrever ou a lidar com o que elas são. Talvez tudo não passe de uma hipérbole irreduzível. Talvez lá no fundo, acho que eu só queria que tudo isso não parecesse com algo tão ridículo e trágico, Acho que o que eu sempre quis mesmo é que tudo isso pudesse ser por uma única vez só um pouquinho menos doloroso e cômico.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Mais Baixo

Lower from Sobrevida on Myspace.

Raio Mantra

Mantra Ray from Sobrevida on Myspace.

A hora triste

the blue turn from Sobrevida on Myspace.

Valsa pra fazer dançar idiotas

valse des verres from Sobrevida on Myspace.

Algo novo

new happening from Sobrevida on Myspace.

Felicidade

Happinesss from Sobrevida on Myspace.

Céu Escolhido

Chosen Sky from Sobrevida on Myspace.

Sorria por enquanto

Smile for a while from Sobrevida on Myspace.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Então apenas apertam um botão, ligam uma coisa, ela começa a desencadear uma série de outras, aí não dão sequer um outro botão qualquer à tal coisa pra ela poder desacelerar, pra pausar ou pra desligar essa merda toda. A gente existe inclusive por que há uma parte ruim e tantas vezes incontrolável existindo dentro da gente. Mas o ser bom, o ser bom por si mesmo bom, o ser que presume ser bom por completo então tem empurrar uma parte de si, a parte ruim para um canto bem escuro e ignorável. Só assim essa parte se convence de que sua melhor existência consiste em deixar de existir. Isso não explicará o todo jamais. Isso é só uma parte explicando a própria parte diante de um todo.

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