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Mostrando postagens de Fevereiro, 2018
Açucar em pessoa? Quantas não foram as inúmeras vezes em que acordei bastante esquisito? Quantas manhas eu acordei sem vontade alguma e cheirava tão amargo quanto o café que sempre teve o mal gosto de querer me despertar?
Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a ação é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo.
Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o ator de um papel que não foi escrito para ele
Superar, sucumbir... As vezes isso pra mim não passa de um monte de bobagens. Ainda mais se eu não posso reconhecer o barro e a lama de onde venho e menos ainda quando eu não posso dar a ênfase que eu quiser ao brilho da minha própria pele quando essa se deita nua ao sol. (assunto só pra quem entende de minhocas)
Os livros estão sempre sós. Como nós. Sofrem o terrível impacto do presente. Como nós. Têm o dom de consolar, divertir, ferir, queimar. Como nós. Calam a sua fúria com a sua farsa. Como nós. Têm fachadas lisas ou não. Como nós. Formosas, delirantes, horrorosas. Como nós. Estão ali sendo entretanto. Como nós. No limiar do esquecimento. Como nós. Cheios de submissão ao serviço do impossível. Como nós.

Faz de conta

Faz de conta que o que eu penso e o que eu faço deve ser da sua conta Faz de conta que ninguém sabe contar o que foi dito Faz de conta que o que foi nunca houve realmente Faz de conta que realmente faz de conta toda a conta que se fez Faz de conta que o que se fez é calculável Faz de conta que a isso tudo algo mais ainda se soma Faz de conta que disso tudo nada mais se subtrai.
Eita conclusão difícil de ter! Mas o pior não é reconhecer e sentir que eu sofro com todas as ofensas, calúnias e violências involuntárias que tantas vezes insistem em atingir minha pele. Pior mesmo é saber que se eu não souber perdoá-las voluntariosamente é por que sou eu quem estou me tornando pior
Somos quem sabe nada mais que uma irrisória parte nesse ciclo enorme. Ciclo este, que uma vez tendo que cumprir com o próprio dever de continuar sendo o ciclo que é, não deveria jamais se impor ou intrometer-se nisso tudo que a gente ainda sente ou pensa. Ciclo que ainda sendo o ciclo que é, não deve jamais perder o pouco equilíbrio que tem. Ainda mais se foi a gente mesmo quem quis acreditar em tudo aquilo que fez-se. Num dia tão absurdo e aleatório, que pra esse tal Ciclo ainda continua não fazendo diferença alguma se este dia foi o tal belo dia ou não. Pessoas e Ciclos raramente coincidem entre tantos costumes. Num dia a gente sequer se lembra aonde foi que a gente mal começou, e no entanto, num noutro dia qualquer e igual, a gente também mal da conta de terminar ou emendar qualquer coisa que a vida ou os ciclos aprontam pra gente.
Ela disse - Não se aproxime muito! Está escuro aqui dentro. Aqui é onde meus demônios se escondem." Então eu lhe respondi: Chegue mais perto, há um inferno dentro de mim. Aqui é o lugar aonde os seus demônios ainda podem viver.
Porque ainda penso, penso e me pergunto porque é que nunca me olhei direito em cada vez que eu tive o azar de ter que passar defronte de mim mesmo frente ao espelho. Será que foi para não ter ver quão pouca luz eu aparentemente ainda não carregava em mim? Ou será que foi só por causa daquele mesmo soluço ainda atravessando o meu rosto envelhecido e furioso? Agora que já penso e me vejo, pra que espelho? O que são cem, quinhentos ou mil anos devorados por um espelho velho, sem fundo e mais do que perplexo ante um reflexo míope e desgraçadamente amargurado? Provavelmente um espelho velho, insosso e impenetrável. Que diferença faria olhar agora ou não olhar tão cedo assim pra uma miserável e perpétua miragem obtida através de um objeto que não é sequer capaz de refletir a parte intraduzível e assombrosa que há por dentro? Que está cada vez mais do lado avesso de cada um de nós? Avesso repleto de sangue, cheio pulsações e de vísceras que se dá por satisfeito enquanto ainda não houver espe…