Pular para o conteúdo principal

Saudade

Em desalento eu vou correndo pra escapar do tempo
Tão desatento carrego também comigo a todo momento
as sobras e os vestígios de quem um dia passou por mim
Hoje mesmo o que encontrei foi um fio de cabelo
E numa roupa guardada eu senti algum cheiro
Que não era meu, que não devia mais estar ali
Vai ver que este esqueceu-se de também ir embora
Pequena parte de quem se foi mas que decidiu ficar
Pra aliviar a aflição que eu sinto até agora
Pois meu coração nem sempre entende
Que as vezes quem parte não vai mais voltar

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

...) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus (...) anos. Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contrário, um sistema completo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que nunca fui disciplinado por virtude, mas como reação contra a minha negligência; que fiz questão de parecer generoso para encobrir a minha mesquinhez, que só passei por prudente por ser pessimista, que fui conciliador por não querer sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só fui pontual para que nunca soubessem que pouco me importava o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor nunca passou de um estado de alma mas que apesar e além disso também foi um dos mais belos signos de todo Zodíaco. Gabriel García Marquez - Memória das Minhas Putas Tristes