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Eu não estendi a mão

O que destruiu essa pessoa que me bateu a porta
Destruiu tanto que ela talvez nem tenha se dado conta que ja perdeu os dentes
Mas que mesmo assim ainda sorri e tenta ser sincera e pede ajuda
Em sua pele e ossos essa pessoa tenta permanecer de pé
Suportando se em sua desvantagem e sua contínua fé
Até quando o deus ou o diabo a arrasem de vez
Ou quem sabe não será a sua própria insensates
Essa pessoa de olhos azuis tão profundos
Deve ter nesse azul toda tristeza do mundo
Mas ela não pode medir e talvez nunca pôde
Não teve nada que fosse possível medir
E talvez toda vez que estendeu a mão
Não a seguraram ,só disseram não
Como eu também disse e sofro
Mas não como ela sofre
É ela que todo dia morre
E assim pouco à pouco
Eu contribuí um pouco
Só quero nunca mais
Ser tão frio e fugaz
Eu não estendi a mão
Mas compreendi meu não
Foi meu egoísmo
que me fez preocupar-me apenas comigo
Meu duro e congelado coração
Talvez contaminado por algo que um dia chamei de razão

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...) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus (...) anos. Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contrário, um sistema completo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que nunca fui disciplinado por virtude, mas como reação contra a minha negligência; que fiz questão de parecer generoso para encobrir a minha mesquinhez, que só passei por prudente por ser pessimista, que fui conciliador por não querer sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só fui pontual para que nunca soubessem que pouco me importava o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor nunca passou de um estado de alma mas que apesar e além disso também foi um dos mais belos signos de todo Zodíaco. Gabriel García Marquez - Memória das Minhas Putas Tristes