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Foi sempre você que me fez
experimentar todo desprezo e seu mal
Que vinha como chicotada leve
mas forte o suficiênte pra deixar marcado
o meu cadaver indefeso
Que estava lutando pra voltar a viver
E encontrar entre falhas
uma razão pra firmar cada passo

Teria sido por vaidade
Que você quis ter domínio total sobre mim?
Ou eu fui muito descuidado
Toda vez que te tratei de um jeito tão gentil?
Você pode ter pensado que eu gostasse de sofrer
eu estava insistindo em algo insignificante pra você
Você me destruiu em sua mente
Como você acha que eu podia fazer isso todo dia?

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...) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus (...) anos. Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contrário, um sistema completo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que nunca fui disciplinado por virtude, mas como reação contra a minha negligência; que fiz questão de parecer generoso para encobrir a minha mesquinhez, que só passei por prudente por ser pessimista, que fui conciliador por não querer sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só fui pontual para que nunca soubessem que pouco me importava o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor nunca passou de um estado de alma mas que apesar e além disso também foi um dos mais belos signos de todo Zodíaco. Gabriel García Marquez - Memória das Minhas Putas Tristes