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Ódio Fecundo

Odeio essa história que inventaram e que já convenceu muita gente de que é preciso existir o Estado para governar as pessoas. Odeio que as pessoas depositem nas outras o poder e a responsabilidade de fazer escolhas que deveriam ser constantemente feitas por cada pessoa. Odeio que acreditem existir altruísmo suficiente a ponto de que isso leve alguém a se responsabilizar pelo outro em troca de nada. Odeio o fato das pessoas não fazerem nada pra demonstrar aquilo que pensam e por isso tantas e tantas vezes permanecerem caladas. Odeio que por causa daquilo que pensam ou sentem as pessoas ignorem o que está evidente ou que pra outra pessoa não representa nada que seja relevante. Odeio os sorrisos falsos e convencidos daqueles que se dizem bondosos, que acham que são os melhores e por isso acham que sabem o que é melhor para os outros. Odeio ver tantos desses sorrisos,assim espalhados em tantos rostos. Eu odeio o fato de ter que odiar tanta coisa, odeio esse ódio ou raiva ou ira ou cólera ou indignação ou fúria ou aversão inveterada que só podem ser naturais e certamente só com muita dessa palhaçada de Estado e de governo e de entretenimento barato e de ração cancerígena de cada dia que eu também ignoro mas engulo pra acalmar todo o ódio que está calado, abafado, escondido em mim e em tanta gente se mantendo em desuso. Gente incapaz de usufruir de si mesma, que desconhece a sua subjetividade e que não se da conta da própria existência. Eu odeio quando quero muito do outro e acabo esquecendo o que tenho guardado aqui dentro. Eu odeio esse ódio que alguém agora mesmo pode estar sentindo bem no fundo do peito e que está andando por aí, que foi mal compreendido e por isso se sente um perdido no mundo. Alguém que sabe que muitas vezes não pode ser auto-suficiente mas que nem por isso outras tantas vezes deveria odiar e impedir a si mesmo de ser fecundo.

Só resta agora você também começar a me odiar se eu tentar me prolongar pra poder esclarecer todo o ódio que sinto nem que fosse por só(mais) um segundo.

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Jamais conheci maneira completamente segura de conseguir ser feliz. Com frequência eu até me esforcei na tentativa de planejar fazer algo ou minimamente estabelecer novos planos só pra não perder-me de vista entre os mínimos atos possíveis ou absurdos realizáveis até o fim de mais este dia repleto de tédio. Me esforcei muito! E algumas vezes me arrisquei tanto que quase pensei que seria capaz de me planejar por mais alguns dias depois... Só que eu jamais compreendi o bastante nas mínimas vezes em que estive diante das armadilhas que me foram pregadas, arapucas feitas de marteladas que quase nunca se importaram com praticamente nada que de certa forma ainda precisasse e quisesse resistir a tantas pancadas, a tantos intervalos sádicos, que provavelmente se importavam menos ainda com um próximo instante ou porvir. Quem vai me provar que não somos também, que não existimos e agimos feito esse mesmo martelo, que quem sabe noutroras, daqui a pouco, vai me bater como quem nada sabe ou como quem não quer saber o que ainda virá amanha! Enquanto eu jamais me senti pronto pra tanto ou pra nada, sempre que pude eu tentei aproveitar minhas sensações da maneira mais competente possível mesmo que eu ainda estivesse diante das mesmas situações e com a maior das complicações. A cada oportunidade que tive fiz o que pude por mais que ainda não conseguisse aproveitar minhas melhores sensações da melhor maneira possível mesmo que novamente diante das mesmas situações, com a menor das complicações. Mas preciso admitir a competência que sempre tive em estragar quase tudo que algum dia eu tive habilidade e a vontade de poder conquistar, sem querer sempre agi como quem na verdade só quis estragar quase tudo Sempre busquei o melhor esperando o pior Sempre busquei o melhor por mais que no fundo eu só me sentisse cada vez pior

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